1a Reunião de Coordenadores e Produtores de Pós acontece no Rio de Janeiro

Aconteceu, hoje, no Rio de Janeiro, uma primeira reunião de Coordenadores e Produtores de Finalização. O encontro aconteceu de forma presencial, no bairro do Flamengo. O objetivo principal foi o de estreitar o diálogo entre aqueles que gerenciam os projetos, equipes e departamentos de pós-produção.

Cada profissional pôde falar um pouco sobre a forma como trabalha, além de dividirem cases e experiências. Foi possível, também, trocar informações sobre as relações da área com as outras etapas da cadeia produtiva audiovisual. Falou-se sobre necessidades e processos que envolvem a pós e o desconhecimento de muitos profissionais que se relacionam com ela.

Pauta e Tendências

Orçamentos, cachês, processos de trabalho, gerenciamento de mídia e infra-estrutura também fizeram parte da pauta. Falou-se sobre a “sensação” de a pós-produção operar com “sobras de orçamentos” gerando dificuldades de gerenciamento e corte de recursos. Recursos esses, que muitas vezes, influenciam na qualidade do trabalho e/ou na qualidade de vida dos profissionais envolvidos.

Apesar disso, verificamos uma tendência forte de planejamento e organização de atividades, por parte dos coordenadores. É consenso que trabalho organizado geram equipes mais focadas, resultando em produtividade mais alta. Infra-estrutura ainda é um desafio para todos.

A necessidade de promover mais debates entre os coordenadores e produtores de pós, ficou clara. Assim como facilitar o diálogo entre esse grupo e o mercado. Por isso, foram levantadas algumas ações diretas que podem ser iniciadas, com o objetivo de esclarecer melhor o que se faz em pós-produção. Afinal, cada vez mais, as produtoras audiovisuais se interessam na compra de equipamentos e buscar soluções “in house” para seus projetos.

Esperamos ouvir falar de um segundo encontro em breve.

Pós-produção é o que, então?

– “Qual a sua profissão?”
– “Pós-produtora.”
– “Ok, pro-du-to-ra?” (a pessoa repete enquanto anota…)
– “Não, senhor. Pós, tracinho, produtora. Assim mesmo, vai na fé, que é isso que faço.”

Apesar de ser uma etapa independente da cadeia de produção audiovisual, a pós-produção ainda não faz parte do imaginário popular. Nem do popular e, muitas vezes, nem do senso comum profissional. Geralmente, a pós se enquadra como uma etapa da produção de filmes, como processo contínuo. O que ocorre na prática é que, às vezes, a produção acontece em função da pós. E outras vezes, a “natureza da produção” diverge do tradicional, como acontece com as animações ou filmes de VFx.

Para escrever esse texto, eu fiz uma longa busca em papers, matérias, artigos e sites. Há uma literatura extensa explicando como se produz um filme e pouco sobre como se pós-produz. Há conteúdo especializado (animação, VFx…) mas, geralmente são reels, tutoriais, etc. Considero natural pelo enfoque da pós como extensão da produção, como mencionei antes. Mas, por outro lado, considero delicada a falta de informação e literatura porque isso, simplesmente, gera reflexos na vida prática de quem trabalha com pós.

Segredos de estado?

Confesso que há um certo charme em tanto segredo 🙂 Porém, no momento de encontrar profissionais treinados e com certificação, a coisa muda de figura. Talvez, por isso, o QI (quem indica) funcione tanto. Até mesmo escolas que queiram ter professores especialistas e renomados em seu quadro, encontrarão dificuldade pois a maioria dos profissionais de mercado aprendeu a profissão, na raça. Bom, falando do cenário brasileiro, né?

Como definição, acredito que tudo o que acontece com o material filmado, gravado, animado (ou projetado com objetivo de animação), se refere à pós-produção. Sendo assim, a pós não se inicia quando o material está sendo filmado ou gravado. E, muito menos, termina quando a mídia final é entregue ao cliente. Todos o planejamento, execução e processos de backup estão interligados à pós.

E, além desse planejamento, a infra-estrutura, processos, etapas, profissionais que são especialistas em diversas funções e fases que podem compor essa etapa. Mesmo em fluxos super simples como “captou, editou, entregou” as vírgulas significam muito mais que pausas para respiro. 🙂